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Núcleo Altamira participa de reunião para a criação de Unidade de Conservação (UC) no baixo rio Xingu

segunda-feira, 28 de maio de 2012

No dia 16 de maio, o gerente de estudos estratégicos Paulo Amorim, participou da apresentação da proposta liderada pela SEMA do Estado do Pará e SEMAT(município de Senador José Porfírio) para a criação da Unidade de conservação na região do baixo rio Xingu, município de Senador José Porfírio (PA). A área a ser protegida é conhecida como região do tabuleiro do embaubal, e foi identificada como área prioritária para a conservação da natureza no bioma Amazônia. Desde os anos 80, esta área é alvo de conservação  por órgãos federais, estaduais e municipais (IBDF, IBAMA, Exército Brasileiro/51ºBIS, SEMA, PELOMA, SEMAT, ICMBIO/RAN). Mas recentemente, vem sendo apoiado por organizações não governamentais – ONGs, como a Fundação José Carlos Rebelo (Grupo Reicon), WWF Brasil e França, Centro de Conservação da Natureza da Bacia do rio Xingu – CNX/UFPA, além de apoios eventuais das Faculdades de Biologia e Geografia, representando a Universidade Federal do Pará/UFPA, campus de Altamira e voluntários acadêmicos, entre outros.
O principal alvo de conservação nesta região são os quelônios, além da representatividade de toda a fauna aquática existente, principalmente composta por espécies chave (peixes-boi, ariranhas, lontras, bagres), e também pela rica vegetação aluvial (último arquipélago do rio Xingu), e espécies da avifauna, entre outras características biofísicas do lugar.
A área de reprodução do Tabuleiro do embaubal possui uma boa estatística de produção de ovos e de eclosão. Considerada a maior área de reprodução de quelônios das Américas, pelo alto volume de matrizes, capacidade de ovopostura e de eclosão. Porém, há grandes problemas ecológicos, climáticos e de gestão, que impacta negativamente os processos de reprodução e manejo das espécies, sobretudo pela agravante pesca predatória realizada para fins comerciais. As três principais espécies manejadas são: Podocnemis Expansa (Tartaruga da Amazônia); Podocnemis Unifilis (Tracajá) e Podocnemis Sextuberculata (Pitiú ou Iaçá). 


Com a construção da UHE Belo Monte, a área sofrerá grandes impactos, podendo ser irreversíveis, principalmente pela alteração no regime das águas, intensidades de uso do canal de navegação frente às áreas de reprodução, ocupação das ilhas e pesca predatória.
Dada a importância da criação da Unidade de Conservação, surge neste momento a necessidade de aglutinar esforços para realizar um ótimo levantamento sócio-econômico e ambiental, incluindo o fundiário, estabelecendo parâmetros para a escolha do grupo e a categoria da Unidade de Conservação a ser criada, de modo a não prejudicar o papel da área a ser protegida, assim como os processos de ocupação tradicional já existente. Os primeiros estudos da SEMA (áreas protegidas) apontam para as categorias de Refúgio da Vida Silvestre (REVIS) para o grupo de proteção integral e Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) para o grupo de Uso Sustentável.
Os próximos passos da SEMA e SEMAT será a finalização dos levantamentos, informação e interação social para iniciarem os processos de convites para a consulta pública, envolvendo os municípios de Vitória do Xingu e Senador José Porfírio (Souzel).
Um bom caminho a ser seguido frente à criação de Unidades de Conservação é primeiramente incluir as pessoas no processo de conservação, bem como, trazer no pacote de gestão, incrementos alternativos na geração de renda das famílias, além das políticas públicas (serviços básicos) garantidos em Lei (três esferas), que na maioria dos casos são ausentes ou deficientes. Outro ponto importante a considerar, é que além da importância estratégica territorial dentro de uma política ambiental de governo, é necessário respeitar as tradições, as economias, o saber local e as implicações de curto, médio e longo prazo as populações impactadas, assim como realizar discussões pelo método da participação e da consulta. 

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