No
dia 24 de maio aconteceu em Altamira uma reunião que envolveu o presidente do
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Sr. Roberto Vizentin, comunidades
de Unidades de Conservação (UC) Federais da Terra do Meio e instituições governamentais e não governamentais.
O
evento foi organizado pela Fundação Viver Produzir e Preservar (FVPP), para que
os representantes das UC’s pudessem expor as principais dificuldades
encontradas em suas comunidades, além de mostrar as potencialidades que nelas existem
e que precisam ser desenvolvidas da melhor forma possível.
Um
dos principais pontos questionados pelos comunitários foi à necessidade de mais
esclarecimentos sobre o plano de manejo das suas unidades de conservação, pois
apesar destas UC’s já existirem a alguns anos, muitos ainda tem dúvidas de
quais atividades podem ser desenvolvidas dentro delas. Outro ponto muito
enfatizado por várias lideranças comunitárias, diz respeito à necessidade de
uma demarcação física das unidades, visto que a falta dessa delimitação é
motivo de vários conflitos com pessoas que residem fora das áreas protegidas.
Durante
a reunião foi falado sobre o interesse de vários líderes comunitários em
entender mais sobre o Manejo Florestal Sustentável (MFS). Eles anseiam conhecer
as técnicas e ferramentas desta atividade, para assim poderem decidir se ela é uma
boa alternativa a ser desenvolvida em suas áreas visando à melhoria na
qualidade de vida da comunidade. Neste ponto específico, foi falado da
iniciativa do ICMBio de Altamira em parceria
com o Instituto Floresta Tropical, que levará em setembro deste ano um líder
comunitário de cada Resex e alguns de seus próprios analistas para fazerem o
curso de “Tomadores de Decisão (TD)” no Centro de Manejo Florestal Roberto
Bauch.
Os
principais encaminhamentos desta reunião foram: Realizar um seminário para
tratar sobre o uso múltiplo dos recursos florestais, ou seja, desmistificar o Manejo
Florestal Sustentável de produtos madeireiros e não madeireiros; escrever um
projeto com o intuito de ajudar a desenvolver o extrativismo da castanha;
incluir uma iniciativa para produção de chocolate em comunidades que já cultivam
o cacau; e escrever uma proposta para a demarcação e sinalização dos limites
das unidades em áreas prioritárias, acompanhado de um orçamento a ser avaliado
pelo ICMBio.
O
IFT foi representado pelo Engenheiro de Projetos Herberto Ueno, que acredita na
importância da reunião pelo fato de proporcionar as comunidades acesso direto a
grande gerência do ICMBio, permitindo-lhes esclarecer as principais dúvidas
sobre as UC's em que vivem. Fala também que um momento onde se possa debater e
desmistificar o MFS, dando as comunidades os conhecimentos e as ferramentas da
atividade, é bastante necessário, visto que as mesmas devem ter capacidade de decidir
por conta própria se o manejo é uma atividade que poderá compor sua renda no
futuro e promover a valorização das populações tradicionais.
Compareceram a
reunião cerca de 70 pessoas, e além do ICMBio e da FVPP, também estiveram
presentes o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Instituto
Floresta Tropical (IFT), Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do
Pará (IDEFLOR), Comitê de Desenvolvimento Sustentável de Porto de Moz (CDS) e
representantes das UC’s: Resex Riozinho do Anfrísio, Resex do Rio Iriri, Resex
do Xingu, Resex Verde Para Sempre, Estação Ecológica Terra do Meio, APA do
Triunfo e Parque Nacional Serra do Pardo.